Paquistão acaba com imposto sobre absorventes, mas acesso segue desigual
O Paquistão deu um passo importante na agenda de saúde menstrual ao extinguir o imposto sobre absorventes e outros produtos de higiene íntima. A medida tende a reduzir o custo desses itens nas prateleiras e a aliviar parte do peso financeiro que recai sobre mulheres e meninas em todo o país.
Na prática, porém, o fim da cobrança não resolve sozinho uma desigualdade que é também social e estrutural. Em muitas regiões, o preço dos absorventes continua fora do alcance de famílias de baixa renda, especialmente onde a inflação corrói o orçamento doméstico e a rede de distribuição é limitada.
Organizações que atuam no tema há anos lembram que menstrualidade digna não se resume a desoneração. É preciso garantir acesso contínuo a produtos seguros, informação confiável, saneamento básico e ambientes escolares e de trabalho preparados para acolher necessidades menstruais sem constrangimento.
Ao eliminar o imposto, o governo sinaliza reconhecimento de que a higiene menstrual é uma questão de saúde pública, não de consumo supérfluo. O próximo desafio é transformar a mudança tributária em impacto real para milhões de mulheres que ainda enfrentam barreiras para comprar, usar e descartar absorventes com dignidade.